Esta é uma daquelas histórias que nos deliciam nas tertúlias familiares e que no caso dizem respeito à dificuldade de estabelecer um contacto telefónico na década de sessenta.
Conta o meu sogro, nascido no lugar de Freixo da Serra, concelho de Gouveia, mas que desde criança morava no Bairro Alto, que quando ia à terra era quase tão complicado telefonar como lá chegar, tamanhas eram as dificuldade para conseguir uma ligação telefónica.
Ora para ligar ao Freixo da Serra, os procedimentos eram os seguintes:
Em primeiro lugar, tinha de fazer uma ligação, para uma localidade de nome, Carrapichana, e só o nome já é curioso. Na Carrapichana, havia sempre uma senhora de voz de afável, a quem era pedido o favor de “Carrapichana, ligue-me a Melo”, não confundam o nome da localidade com o meu apelido, pois qualquer semelhança é pura coincidência. Melo, é uma freguesia do concelho de Gouveia e que fica próximo do Freixo da Serra, localidade de onde o meu sogro é natural e que nos tempos de jovem passava as suas férias escolares, na companhia da avó.
“Carrapichana, Ligue-me a Melo”, só depois é que a chamada era passada para o Freixo. Imagine-se na década de sessenta em que não eram todas as casas que tinham telefone, o tempo que se esperava, para concretizar uma chamada. Eram minutos de espera infindáveis. Nos tempos que correm, perdemos a noção do tempo e questionamos como é que num tão curto espaço de tempo, as telecomunicações evoluíram tanto.
Como nota final, conto-vos que a questão do “Carrapichana, ligue-me a Melo”, só ficou para mim clara, há relativamente pouco tempo, pois também eu pensava que ao pedir à senhora telefonista da Carrapichana para ligar a Melo, estavam justamente a pedir para ligar à pessoa de apelido Melo e não à localidade de nome Melo, de onde seria transferida a chamada para o Freixo da Serra, destino final da chamada.
No final de contas fiquei a perceber que a ligação telefónica, ainda era mais complexa do que eu inicialmente julgava e que entre pedidos de ligação e esperas podia demorar cerca de duas horas, para finalmente conseguir falar com o destinatário.
A evoluir desta forma, dentro de cinquenta anos como serão as telecomunicações? Viremos nós que nos julgamos na vanguarda uns verdadeiros objectos históricos?
Até ver, viva os telemóveis e os SMS!
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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